10 temas luso-americanos a estar atentos

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Rita Faden: “união e sentido de solidariedade”

A entrevista do Diário de Notícias a Rita Faden é longa e profunda. A presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) aborda temas como a guerra e a importância da união.

Neste artigo, destacamos algumas das ideias de Rita Faden para melhor refletirmos sobre economia, investimento e política nas relações luso-americanas. Assuntos que, pela sua relevância e proximidade, também poderão interessar aos países falantes de português, como é o caso do Brasil.

1. Energia

“Reconheço que será um momento muito difícil, especialmente para vários países que dependem muito do gás que vem da Rússia e que podem ter invernos pesados. Isto pode tornar muito complicado gerir as expectativas das populações, sobretudo se não houver alternativas que também não são fáceis de obter. Tudo o que tem a ver com energia, transporte e armazenamento, muitas vezes requer a construção de novas infraestruturas e isso leva tempo”.

“Sines pode desempenhar um papel importante servindo de porto para o gás natural liquefeito que virá dos Estados Unidos. Não é o único porto na Península Ibérica, mas Sines tem condições excelentes para poder desempenhar esse papel. O que precisamos depois é que as ligações entre Espanha e França permitam a passagem do gás para abastecer a restante Europa”.

2. NATO

“Se as intenções de Putin eram dividir e enfraquecer a Europa e a sua ligação com os Estados Unidos, isso não foi conseguido, antes pelo contrário. Ainda hoje vimos isso na Cimeira da NATO, que está a decorrer em Madrid, o alargamento da NATO à Suécia e à Finlândia, dois países tradicionalmente neutrais, mas que perceberam que, neste novo contexto global, a sua segurança também tem de ser enquadrada de forma mais global. A sua adesão torna-se também num reforço da NATO”.

3. Açores

“É forte a importância do posicionamento dos Açores e a importância geoestratégica do seu posicionamento. Basta olhar para o mapa, vemos os Açores claramente posicionados no meio do Atlântico e isso é uma enorme riqueza e vantagem que pode e deve ser explorada para muitas coisas, incluindo numa perspetiva de segurança e defesa e também de maior utilização da Base das Lajes. (…) Cerca de 80% desses americanos de ascendência portuguesa são dos Açores e ainda mantêm uma grande ligação com os Açores. Por tudo isso faz sentido que a FLAD dê particular atenção aos Açores e temos procurado fazê-lo ao longo dos anos, agora ainda com mais intensidade. Mas fazemos isto em várias áreas, nas bolsas científicas que damos, no apoio que damos a alguns projetos de base científica, mas também na aposta que temos na cultura nos Açores”.

4. Relações Luso-Americanas

“As relações entre Portugal e os Estados Unidos são tradicionalmente muito boas. Temos uma história em que Portugal foi dos primeiros países a reconhecer a independência e sempre tivemos uma ligação bastante próxima. (…) Vemos, hoje em dia, uma crescente comunidade americana em Portugal a interessar-se e a fazer novos investimentos e temos já uma presença de várias empresas americanas sediadas em Portugal. Acho que nos próximos tempos vamos assistir a um novo ciclo de investimento americano em Portugal.

Do ponto de vista político, temos uma grande convergência de interesses, sempre considerámos a relação com os Estados Unidos como uma das prioridades da nossa política externa e isso, transversalmente ao longo de todo o ciclo político. É uma matéria na qual há grande concordância entre a maioria dos partidos portugueses e acho que essa tem sido sempre a nossa estratégia”.

5. Europa

“Vemos uma enorme união e sentido de solidariedade e pertença a uma casa comum europeia e isso é bom. Por outro lado, isto deve-se a uma causa profundamente infeliz. (…) Acho que é muito claro e, aliás, isso já foi assumido pelos líderes europeus, a necessidade de haver mais investimento na defesa e segurança da Europa e cada país europeu tem de dar o seu contributo. (…) É uma questão de a Europa assumir as suas responsabilidades, tem de estar à altura deste desafio, que é muito complicado, muito difícil, mas temos de estar à altura deste momento”.

6. Investimento

“É claro que precisamos de investimento estrangeiro em Portugal, portanto, se tivermos mais investimento americano em Portugal, isso seria ótimo para nós, sem dúvida”.

7. Jovens

“Outro do trabalho que estamos a procurar fazer é despertar o interesse na política, despertar o interesse na vida cívica e no associativismo por parte dos jovens luso-americanos. Tem a ver com a língua, com o ensino da língua portuguesa nas escolas, com o acesso à cultura portuguesa, com as facilidades que o investimento em empresas de base portuguesa pode ter. Há questões muito práticas que também têm muito a ver com termos maior representação e representatividade dos portugueses a todos os níveis”.

8. Incentivos

“Outra iniciativa que fizemos foi lançar um programa de estágios para luso-americanos junto dos congressistas portugueses, portanto, também aí despertar o interesse pela política e facilitar as ligações que eles possam ter. (…) Gostávamos de organizar em breve um curso de formação de ‘Como organizar uma campanha política nos Estados Unidos’, começando pela definição da mensagem política, em colaboração com os nossos políticos americanos de ascendência portuguesa que já o fizeram e que nos podem ajudar a explicar como isso se faz.

A parte das bolsas é para continuar, temos uma grande aposta na ciência e na educação. (…) O intercâmbio de ideias e o conhecimento recíproco é muito importante, o facto de uma pessoa ter um estágio num centro de investigação durante seis meses, isto tem consequências específicas no seu trabalho e para a instituição.

Com os prémios do Atlântico e da Saúde Mental, o que pretendemos é fomentar a investigação científica em Portugal, mas necessariamente numa parceria com uma instituição americana. Não só porque damos oportunidades a cientistas portugueses para terem tempo para desenvolverem a sua investigação, mas também ao terem de procurar uma instituição americana também fortalecem os laços. Hoje em dia, a ciência não se faz fechada, a colaboração internacional é absolutamente fundamental e incentivamos sempre essa cooperação”.

9. Saúde Mental

“Na área da saúde mental temos um programa novo (…) para apoio aos estudantes universitários. Uma das coisas que se tornou muito clara é que a pandemia afetou muita gente na área da saúde mental, mas um dos segmentos mais afetados foram os jovens universitários. (…) Numa parceria com a Ordem dos Psicólogos, lançámos um concurso aberto para que as unidades de apoio psicológico das universidades se possam candidatar para receberem um financiamento da FLAD para desenvolverem atividades, para procurarem dar maior apoio aos estudantes universitários.”

10. Prémios

“O Prémio Atlântico Júnior destinado aos alunos do ensino secundário. O prémio é uma viagem aos Estados Unidos e eles têm de formar uma equipa com um dos seus professores e fazer um projeto utilizando tecnologias para pensar soluções para questões do Atlântico. O Atlântico é outra das prioridades da FLAD e temos o Prémio de Investigação Científica para o Atlântico e 300 mil euros é uma aposta forte para a investigação científicas. (…) Vimos projetos extraordinários e houve uma ideia que achei muito boa que era utilizar as algas para fazer curtumes e tintas para a indústria de curtumes para substituir os poluentes que eles usam. Houve ideias muito giras, de facto”.

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