A importância da transformação nas empresas

Fachada exterior da Deloitte

McKinsey Brasil Insights: Análise chama a atenção para a necessidade de acelerar a transformação nas empresas da América Latina. 

“Acelerando a transformação nas empresas latino-americanas” é o título de um artigo da consultora internacional McKinsey no Brasil, assinado por Henrique Ceotto, Rami Goldfajn e Fabio Stul (McKinsey São Paulo) e Juan Franco (McKinsey Bogotá).

Tendo em conta os choques económicos e sociais na América Latina, que levaram as empresas a uma adaptação forçada pela pandemia da Covid-19, os autores sublinham a resiliência mostrada pelos executivos e a procura por novas oportunidades de negócio, agora que o pior parece já ter passado.

O artigo da McKinsey põe em evidência os elementos de uma transformação empresarial de sucesso, listando quatro arquétipos de transformação e cinco atitudes fundamentais para evitar armadilhas e posicionar as empresas no bom caminho.

Destacamos aqui os principais pontos da análise. 

Os 4 Arquétipos de transformação

1 – Transformações de performance (de boa a ótima) 

Normalmente implementadas em empresas que têm fundamentos sólidos, mas cujo desempenho não atingiu seu pleno potencial. Essas organizações são líderes nas respetivas indústrias e envolvem-se na transformação para aumentar ainda mais sua vantagem competitiva.

2 – Transformações do modelo operacional (reinventando o que é fundamental) 

Pensadas por empresas que antecipam disrupções futuras nos negócios e que adotam ações preventivas para melhorar sua resiliência. Essas empresas são geralmente players estabelecidos que precisam manter o ritmo com disruptores mais ágeis. 

3 – Mudanças de portfólio ou transformações de crescimento (esquentando os motores) 

Referem-se a uma alteração no foco do negócio. Podem envolver a venda do negócio, a criação de novos negócios (geralmente com um forte componente digital e de analytics), a entrada em novas regiões e/ou novas ofertas (sejam orgânicas ou por meio de fusões e aquisições). O ambiente em que essas transformações ocorrem está em constante mudança, portanto a velocidade e a adaptabilidade são cruciais.

4 – Transformações de empresas em dificuldade (recuperando o caminho perdido)

Enquadram-se em negócios gravemente afetados por dívidas ou entraves competitivos ou da indústria, tais como uma mudança na tecnologia ou no comportamento do cliente. Nessas situações, o foco principal é a geração de caixa no curto prazo, a negociação de condições de pagamento com credores ou a redefinição do portfólio para criar um modelo de negócio sustentável. Este é o único arquétipo no qual os executivos podem ter que sacrificar objetivos de longo prazo para garantir a continuidade do negócio. 


As 5 plataformas para a transformação



1 – Ambição

As economias da América Latina entraram em colapso com a pandemia, tendo como resultado o desaparecimento de muitas empresas. Contudo, as organizações que foram capazes de se adaptar conseguiram obter vantagens significativas.

Segundo a McKinsey, “as melhores empresas identificaram lacunas de desempenho” através de alavancas analógicas e digitais, barreiras correspondentes e esforço necessário para corrigi-las. “Nas transformações que analisamos na América Latina, o processo de diligência identificou, em média, 2,7 vezes mais oportunidade do que a maioria dos executivos seniores acreditavam ser possível. Em uma empresa industrial, por exemplo, o resultado chegou a ser 4,7 vezes maior do que a aspiração original”. Ter ambição de crescer e capacidade de olhar para o futuro é essencial para a sobrevivência e sucesso.

A consultora dá como exemplo uma empresa de atendimento ao consumidor, que apostou na transformação não apenas para otimizar seu negócio principal, mas também para se expandir em novas rotas de crescimento. “Em 18 meses, a empresa melhorou a performance de seu negócio principal, expandiu para áreas adjacentes e lançou um novo negócio que tem crescido a três dígitos. Ao mesmo tempo, fortaleceu suas capacidades internas implementando a metodologia ágil em escala em muitas funções essenciais, criando um centro de excelência de advanced analytics e promovendo uma cultura de aprendizado e inovação”. Um caminho que começou com a definição de uma aspiração elevada.

2 – Mobilização 

“As transformações bem-sucedidas têm um portfólio de centenas, se não milhares, de iniciativas, cada uma com um dono, um caso de negócio, indicadores-chave de performance e marcos principais para atingir o resultado desejado – de forma mais rápida”, afirmam os autores. Mas as melhores empresas revelam também capacidade de renovar continuamente os seus fluxos de iniciativas, como forma de compensar as perdas provocadas nos planos originais. 

“Essa renovação perpétua requer que as empresas designem um diretor de transformação apoiado por uma equipe pequena e especializada, que atua como lubrificante do motor da execução”, conclui a análise. De facto, o envolvimento de muitas pessoas ajuda as empresas a alcançarem mais do que imaginavam ser possível. Por outro lado, essa mobilização da força de trabalho incentiva a adoção dos comportamentos necessários para a mudança. 

3 – Talentos 

“Os talentos e a cultura da organização são os principais fatores nas transformações bem-sucedidas”, consideram os autores. A capacidade da organização em recrutar, reter e reforçar talentos é indispensável para ser bem-sucedida. Além disso, é importante apostar numa cultura organizacional saudável.

“Para ter uma equipe de liderança de alto desempenho, as organizações precisam avaliar a forma como as equipes trabalham juntas e como essas atividades são realizadas em comparação com equipes de referência – e mudar conforme necessário. Esse exercício precisa avaliar configuração, alinhamento, execução e renovação de uma dada equipe, fortalecendo a capacidade de seus membros de confiarem uns nos outros e desenvolver sua credibilidade, confiabilidade e colaboração”, podemos ler no artigo. 

No que respeita à saúde organizacional, a consultora aconselha a medir “o estado atual a fim de identificar potenciais lacunas em termos de mentalidades, comportamentos e práticas de gestão”. O Índice de Saúde Organizacional (OHI) da McKinsey avalia nove dimensões (o que a organização é) e 37 práticas de gestão (o que a organização faz).


4 – Tecnologia

O crescente investimento nos canais digitais e análise constante de resultados é importante, mas o foco deve ser sempre no negócio e não na tecnologia. 

A maioria das empresas está investindo em digital e analytics, mas com resultados contraditórios. Alguns CEOs e CFOs até mesmo acreditam que sua empresa tenha dado muita importância à tecnologia e antecipar uma correção de curso. As empresas bem-sucedidas “entendem claramente as lacunas do negócio e buscam as melhores tecnologias para eliminar essas lacunas. Outra falha recorrente é quando as empresas terceirizam a responsabilidade por digital e analytics para consultores ou terceiros em vez de criarem capacidade internamente. Parceiros são de extrema importância, mas as capacidades centrais precisam existir na organização”.


5 – Transformação contínua

Segundo os dados da McKinsey, as empresas da América Latina que apostaram em transformações contínuas alcançaram até três vezes o valor originalmente planeado. Essas transformações consistes, essencialmente, em novas formas de trabalhar. É aquilo a que a consultora chama de “germe da transformação”: organizações que estão constantemente a criar e concluir atividades para melhorar a performance e identificar e aproveitar novas oportunidades. 

Quanto mais sólida a transformação, maior a probabilidade de as empresas verem os seus arquétipos evoluírem e interligarem, sublinham os autores. “Este momento representa uma oportunidade única para as empresas da América Latina. As dificuldades da pandemia resultaram em uma maior resiliência, que é a base de uma transformação contínua. E mais, as empresas da região demonstraram sua capacidade de gerar mais valor a partir das transformações do que seus pares em outras partes do mundo. Se incorporarem cinco propulsores da transformação, estarão bem posicionadas para vencer”.


Leia a análise completa aqui.

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