Acordo de Livre Comércio com Reino Unido dá novas oportunidades ao Brasil

Bandeira do Brasil e do Reino Unido, no fundo do céu

Ana Paula Vitelli, presidente da Britcham, defende que há possibilidades de ampliar a sinergia na agenda do Brasil com o Reino Unido.

A Britcham – Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil – “tem muito a contribuir” com as negociações para a entrada do Brasil na OCDE, “dado o potencial de cooperação em diversos temas, como mineração, agronegócio, tecnologias, energias renováveis, meio ambiente e economia verde, entre outros”, afirma Ana Paula Vitelli – Presidente daquela entidade.

Em artigo de opinião publicado no Correio Braziliense, a responsável aproveita as negociações para demonstrar como as relações entre o Brasil e o Reino Unido podem ser aprofundadas a nível de negócios, comércio e indústria.

Vantagens da entrada no Brasil na OCDE

“Formalmente, os países da OCDE estão comprometidos com o cumprimento de boas práticas para o funcionamento de seus governos e economias”, explica Ana Paula Vitelli, referindo que essas boas práticas fazem parte do dia a dia dos associados da Britcham. A preservação da liberdade individual, os valores da democracia, a proteção dos direitos humanos e a economia de mercado aberta, competitiva, sustentável e transparente são valores preconizados para a entrada de novos membros na OCDE, com os quais a entidade se identifica.  São iniciativas “que visam fomentar discussões e atividades focadas em diversos temas, ampliando a sinergia na agenda do Brasil com o Reino Unido e as relações comerciais e de investimentos já existentes”.

A Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil é a favor da entrada do Brasil na OCDE e tem discutido o acordo de livre comércio entre os dois países. Uma das suas propostas incide sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em transações com moeda estrangeira, que pretende ver a zeros. Uma medida que aproxima a taxação brasileira das regras da OCDE. “Tamanha iniciativa poderia mudar um cenário negativo, que mostra que, sem os devidos acordos, empresas acabam pagando mais tributos para comercializar serviços em nosso país, o que resulta em uma fuga de investimentos”, afirma. 

As propostas da Britcham

Dois dos grupos da Britcham, relativos ao Comitê de Comércio e Investimentos Internacionais e ao Comitê Legal, Tributário & Regulatório, tinham já organizado o Congresso Relações Bilaterais Brasil-Reino Unido antes destas negociações. Nessa ocasião, foi exibida uma análise da Confederação Nacional das Indústrias, que indicava, entre outras conclusões: “86% das empresas consideraram que um acordo para evitar a dupla tributação aumentaria o comércio de serviços entre os países, com estímulo ao comércio de bens, redução de custos de financiamento e aquisição de novas tecnologias”.

 Para a responsável máxima pela Britcham, “com a OCDE e a consequente adesão a diversas regras e ordenamentos regulatórios, o país avançaria em aspetos como maior estabilidade jurídica e económica, ampliando questões tributárias e resolvendo pontos como alíquotas máximas a serem aplicadas em cada um dos rendimentos”. E conclui: “Entendemos, assim, que há muitas possibilidades de ampliar a sinergia na agenda do Brasil com o Reino Unido e as relações comerciais e de investimentos existentes a partir da nossa entrada na OCDE”.

Por outro lado, é de notar “o compromisso diário da Câmara Britânica na promoção de um crescimento económico sustentável e inclusivo”. Contribuir para zero emissões de carbono e para uma agenda ambiental e do clima mais eficaz são exemplos das propostas anunciadas.

Melhores negócios, melhor imagem

Ana Paula Vitelli recorda ainda a realização de webinars e reuniões setoriais promovidos pela Câmara Britânica, como forma de contribuir com governos e empresas. Aos grandes desafios que o país enfrenta, nomeadamente a “melhoria do ambiente de negócios” e a “maior inserção do Brasil nas cadeias globais de valor”, a responsável acrescenta “a melhoria de nossa imagem no âmbito internacional”. Tais objetivos poderiam ser atingidos através da ação dos “agentes brasileiros, nas esferas pública e privada, em ações concretas para garantir a efetivação de acordos e promessas firmadas”. Uma mudança que se virá a refletir diretamente na “atração de novos investimentos para diversos setores de nossa economia”, remata a perita.

FONTE: Correio Braziliense

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