As 10 profissões mais em risco no Brasil

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O modelo que prevê o desaparecimento, nos próximos 20 anos, de algumas das profissões desempenhadas por seres humanos é da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Trata-se de um estudo assinado por Carl Benedikt Frey e Michael Osborne em 2017, agora adaptado à realidade brasileira, a pedido da BBC Brasil. E a conclusão deste estudo é de que mais de metade dos empregos no país corre o risco de cair no esquecimento.

10 ocupações com maiores probabilidades de automação

São ocupações “muito bem definidas”, coisas que podem ser especificadas com alta precisão e objetividade, mas com reduzida interação humana.

  1. Operadores de entrada de dados (digitador) – 99%
  2. Profissionais de nível médio de direito e afins (assistente) – 99%
  3. Agentes de seguros – 99%
  4. Operadores de máquinas para fabricar equipamentos fotográficos – 99%
  5. Vendedores por telefone – 99%
  6. Despachantes aduaneiros – 99%
  7. Contabilistas e guarda-livros – 98%
  8. Secretários jurídicos – 98%
  9. Condutores de automóveis, táxis e camiões – 98%
  10. Balconistas e vendedores de lojas – 98%

10 ocupações com menores probabilidades de automação

São profissões com “muita interação e muita subjetividade humana”. Obriga a saber lidar com pessoas e a resolver situações que envolvem reações emocionais.

  1. Dietistas e nutricionistas – 0.4%
  2. Gerentes de hotéis – 0.4%
  3. Especialistas em métodos pedagógicos – 0.4%
  4. Médicos especialistas – 0.4%
  5. Médicos gerais – 0.4%
  6. Fonoaudiólogos e logopedistas – 0.5%
  7. Trabalhadores do sexo – 0.6%
  8. Dirigentes de serviços de bem-estar social – 0.7%
  9. Psicólogos – 0.7%
  10. Dirigentes de serviços de educação – 0.7%

Fonte: ISE Business School e Consultoria IDados

O documento da consultora IDados e do ISE Business School conclui que quem trabalha no setor informal tem mais hipóteses de ver o seu emprego a ser substituído por máquinas.

Um dos autores do artigo é o economista Bruno Ottoni, pesquisador do IDados e do Ibre/FGV. O especialista crê que, além das habilidades socio emocionais, existem outros dois fatores-chave ajudam a determinar se uma profissão é mais suscetível de desaparecer.

Um trabalho com grande exigência de criatividade/originalidade estará mais protegido, bem como ocupações que exigem habilidades motoras finas ou que são realizadas em ambientes pouco estruturados.

É o caso de trabalhos como o do jardineiro e de empregadas domésticas, que parecem não estar ameaçados pela tecnologia, pelo menos a curto prazo.

O desaparecimento do emprego na América do Sul e na Europa

Devido à crescente automação das tarefas, até 62% dos empregos informais do Brasil podem desaparecer nos próximos vinte anos. Já nos empregos formais, a probabilidade é de 55%.

Esta percentagem média de 58% calculada para o Brasil situa-se ligeiramente abaixo de taxas encontradas em outras pesquisas para países da América do Sul, como Uruguai (63%), Paraguai (63,7%) e Argentina (64,6%).

Na Europa, os valores determinados para Portugal (59%) e Croácia (58%) são muito semelhantes.

As taxas mais baixas são registadas na Suécia e no Reino Unido (ambos com 47%), Irlanda e Holanda (também ambos com 49%).

Para os investigadores, é provável que a proporção de empregos passíveis de automação seja maior nos países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos. Isto porque há mais ocupações que exigem pouca qualificação, mais facilmente substituídas por máquinas.

3 Dificuldades para as empresas

Os autores defendem que “é a natureza do trabalho que vai mudar, ao exigir que humanos se concentrem em tarefas que os computadores não podem fazer”. O foco deve estar nas atividades que podem ser feitas por máquinas. Uma mudança que não será notada em todo o lado ao mesmo tempo.

Os investigadores definem ainda quais são os três fatores que podem ser considerados barreiras para as empresas:

  • Dificuldade na de importação de equipamentos por empresas brasileiras;
  • Necessidade de formação de funcionários para usar a nova tecnologia de forma eficiente;
  • Competitividade de cada setor de atividade.

Para finalizar, os especialistas afirmam que os resultados encontrados não devem criar “pânico”, mas funcionar como “alerta”, ao indicar que novas tecnologias são tecnicamente capazes de substituir grande parte dos empregos brasileiros. Apontam que é “por meio de políticas efetivas” que o Brasil pode “aliviar, ou até mesmo evitar, a perda maciça de empregos devido à automação, nas próximas décadas”.

Edição: BBC Brasil com Brasdo

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