CERN acolhe Brasil como estado-membro associado

CERN

O Brasil é o primeiro país da América Latina a fazer parte do CERN – Centro Europeu de Física de Partículas, na qualidade de Estado-membro associado. A parceria foi anunciada por aquela instituição científica na passada terça-feira, 10 de maio de 2022.

É a terceira vez que é atribuída a um país a denominação de estado-membro associado, a seguir à Turquia e à Ucrânia.

Esta associação vai possibilitar que o Brasil participe nas reuniões do Conselho e do Comité de Finanças do CERN, o maior centro de pesquisas físicas no mundo. Além disso, os cientistas brasileiros serão, a partir de agora, elegíveis para cargos de funcionários de duração limitada e a bolsas de estudo.

Por outro lado, as empresas brasileiras poderão candidatar-se a contratos com o CERN, potenciando as oportunidades de colaboração industrial em tecnologias avançadas. Os benefícios do acordo estendem-se a start-ups e empresas que trabalham com soluções para problemas do dia-dia, indústrias ou pequenas empresas que possam fornecer soluções rápidas no que respeita ao fornecimento de equipamentos para expansões e manutenções, tecnologias usadas em desenvolvimento, ou fornecimento de serviços e materiais de apoio à indústria.

“Este acordo permite que o Brasil e o CERN fortaleçam ainda mais a sua colaboração, abrindo uma ampla gama de oportunidades novas e mutuamente benéficas em pesquisa fundamental, desenvolvimento tecnológico e inovação e atividades de educação e formação”, afirmou em comunicado Fabiola Gianotti, diretora-geral do CERN.

Também Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, deu destaque à indústria brasileira, que “será beneficiada com a participação em licitações de contratos tanto de pesquisa e desenvolvimento, como de fornecimento de serviços e materiais. Essa parceria levará o setor da ciência, tecnologia e inovação brasileiro a um novo patamar de desenvolvimento”, afirmou o responsável. O acordo levou 12 anos a ser concretizado, com um investimento anual que trará “altíssimo retorno para o país e tem implicações positivas muito boas para o futuro da ciência, da tecnologia e das inovações no país”.

Desde 1990 que o Brasil tem vindo a colaborar em vários projetos do CERN. Exemplo disso é a experiência DELPHI no Large Electron-Positron Collider, além da participação em programas de formação e divulgação, tanto para alunos como para docentes. O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), localizado em Campinas, também tem cooperado com a entidade no que respeita a pesquisas e desenvolvimento de tecnologia de aceleradores e respetivas aplicações, desde 2020.

É estimado que a presente associação tenha impacto em diversas áreas. “O primeiro aspeto é o científico, a possibilidade de intercâmbio de pesquisadores, a possibilidade dos nossos pesquisadores brasileiros poderem utilizar as instalações de pesquisa do CERN”, afirmou Pontes. Outra perspetiva diz respeito ao setor produtivo no Brasil, incluindo o Sirius, o acelerador de partículas construído em 87% pela indústria nacional.

O CERN

Os atuais estados-membros do CERN são a Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Israel, Itália, Noruega, Holanda, Polónia, Portugal, República Checa, Roménia, Sérvia, República Eslovaca, Suécia, Suíça e Reino Unido. O centro iniciou a sua atividade em 1954, sendo hoje uma instituição altamente reconhecida pela pesquisa em física. Entre estados-membros, associados e observadores, conta com o trabalho de milhares de cientistas, oriundos de mais de cem países.

O CERN tornou-se mais popular entre o grande público quando conseguiu confirmar a teoria do físico Peter Higgs, conhecida como Bosão de Higgs. A construção do Grande Colisor de Hadron (LHC), o maior e mais potente acelerador de partículas no mundo, e a descoberta de antimatéria foram outras grandes contribuições para a ciência. 

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