Crescimento fraco da economia, diz Banco Mundial

Portátil aberto sobre a mesa com ecrã a exibir modelo do planeta Terra em azul e dourado apoiado na mão de um homem e repetição da palavra FUTURE em fundo.

O Brasil deverá crescer 1,5% em 2022 e apenas 0,8% em 2023, aponta um relatório do Banco Mundial. Na região da América Latina, apenas o Haiti e o Paraguai estão atrás do Brasil. O documento não inclui a Venezuela, por não ter dados fiáveis sobre a economia do país.

Apesar de ter arrancado o ano com perspetivas mais positivas, a inflação de 2 dígitos e o baixo investimento estão a travar o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Em 2022, espera-se um crescimento de 1,5% no PIB brasileiro, contra 2,5% da Zona Euro e dos Estados Unidos. A economia mundial global crescerá 2,9%.

Já para 2023, o relatório aponta para um crescimento de 0,8% no Brasil, 1,9% na zona Euro e 2,4% nos EUA. A nível global, a economia mundial deverá crescer 3%.

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É expectável que as economias emergentes da Índia (7,5%), Bangladesh (6,4%), Egito (6,1%) Indonésia (5,1%) e China (4,3%) contrabalancem os efeitos da inflação.

Por outro lado, a Federação Russa conta com uma estimativa negativa de -8,9% em 2022 e -2% em 2023.

América Latina e Caribe

Nas previsões do Banco Mundial, o valor de 0,8% apontado para o Brasil no próximo ano constitui o menor crescimento esperado, a par com o Chile.

O Haiti, que em 2022 revela -0,4%, aguarda um crescimento positivo de 1,4% no ano seguinte. Melhor trajeto ainda tem a economia do Paraguai, de 0,7% para 4,7%.

O México deve crescer 1,7% em 2022 e 1,9% e 2023, enquanto a Argentina deve ver altas de 4,5% e 2,5%, respetivamente.

Estagflação no cenário de projeção global

O relatório divulgado pelo Banco Mundial tem em conta não só os efeitos causados pela pandemia de Covid-19, como também a invasão russa da Ucrânia. Estes dois fatores tiveram um grande impacto sobre a desaceleração da economia global. Assim, aguarda-se um período potencialmente prolongado de crescimento fraco e inflação elevada.

“Isso eleva o risco de estagflação, com possíveis consequências prejudiciais tanto para as economias de média como de baixa renda”, diz o relatório.

A estagflação dá-se quando a economia apresenta, simultaneamente, um cenário de inflação, estagnação do desenvolvimento económico e aumento do desemprego. Uma combinação perigosa que implica fortes consequências na vida das famílias e empresas.

O crescimento com previsão de alta de 2,9% em 2022 a nível global já se encontra bem abaixo dos 5,7% de 2021 e da estimativa inicial de 4,1% em janeiro de 2022, antes da guerra.

Segundo o Banco Mundial, o ritmo de crescimento deve perdurar até 2023-24, já que a guerra na Ucrânia interfere nas atividades, nos investimentos e no comércio no curto prazo. A procura reprimida desaparece e a acomodação da política fiscal e monetária é suspensa.

Devido aos danos causados pela pandemia e pela guerra, a instituição estima que o nível de renda per capita nas economias em desenvolvimento este ano ficará aproximadamente 5% abaixo das tendências pré-pandêmicas.

“A guerra na Ucrânia, os períodos de confinamento na China, as interrupções na cadeia de abastecimento e o risco de estagflação estão a prejudicar o crescimento. Para muitos países, será difícil evitar a recessão,” comenta David Malpass, presidente do Grupo Banco Mundial.

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